Militar retratado em "Ainda Estou Aqui" participou da Revolta de Aragarças em 1959

João Paulo Burnier dormiu em fazenda em Mato Grosso após tentativa de golpe frustrada


Por Rota Araguaia em 05/03/2025 às 19:17 hs

Militar retratado em
Reprodução

VG Notícias



Nomes de militares que vieram à tona depois do sucesso do filme "Ainda Estou Aqui" geraram repercussão nas redes sociais e questionamentos políticos sobre o papel de cada um no desaparecimento do deputado Rubens Paiva, interpretado nos cinemas pelo ator Selton Mello.

Um destes nomes é do tenente-coronel da Aeronáutica, João Paulo Moreira Burnier. O que poucos sabem é que Burnier foi o líder de uma tentativa de golpe baseada na divisa de Goiás e Mato Grosso, anos antes de 1964.

Após o golpe frustrado, Burnier passou a compor a repressão da Ditadura Militar a partir de 1964. Ele é apontado como um dos envolvidos no desaparecimento do deputado cassado Rubens Paiva, personagem do filme que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro no último domingo (03.03). Segundo a Comissão Nacional da Verdade (CNV), Burnier teria ordenado a invasão à casa de Rubens Paiva, no Rio de Janeiro, em 1971.

Revolta de Aragarças

A chamada Revolta de Aragarças ocorreu na cidade de mesmo nome, na confluência dos rios Garça e Araguaia, e visava uma tentativa de golpe militar contra o então presidente Juscelino Kubitschek. A revolta aconteceu em 2 de dezembro a 4 de dezembro de 1959. A ideia dos militares envolvidos era instaurar uma ditadura militar no país.

Os golpistas, ao todo 18 pessoas, previam que receberiam apoio das forças armadas e de políticos ligados a União Democrática Nacional (UDN), mas isso não ocorreu e a tentativa de golpe foi sufocada em 36 horas. Os revoltosos fugiram para os países vizinhos e ninguém m0rreu.

A tentativa de g0lpe foi rechaçada por políticos de Mato Grosso, entre eles João Vilas Boas (UDN-MT). O ministro da Guerra, General Lott, enviou paraquedistas para Aragarças, que metralharam a cauda de um dos aviões C-47, que estava retornando de um voo de inspeção em Mato Grosso. Os tonéis de combustível também foram bombardeados. Os rebeldes fugiram com os outros aviões para a Argentina, Paraguai e Bolívia, e os reféns foram liberados em Buenos Aires.



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